Força Sindical intensifica mobilização por jornada menor no Senado
A Força Sindical reuniu nesta quinta-feira (11) sua Direção Nacional, Executiva e presidentes das estaduais para definir estratégias voltadas à aprovação da PEC da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1 no Senado Federal.
Realizada de forma híbrida, na sede da Central e por meio da plataforma Zoom, a reunião debateu ações para concentrar esforços na articulação política junto aos senadores e ampliar a mobilização nas bases sindicais em todo o país.
Para Miguel Torres, presidente da Força Sindical, a aprovação da proposta vai representar uma conquista histórica para os trabalhadores. Ele alertou ainda que a mobilização pela aprovação da redução da jornada e do fim da escala 6×1 exigirá forte articulação política nos estados.
“O setor empresarial está atuando forte contra as mudanças na legislação trabalhista que beneficiem os trabalhadores, inclusive fazendo campanhas públicas de apoio à PEC apresentada pelo senador Rogério Marinho” – MIGUEL TORRES
Mobilização permanente
Diante desse cenário, o sindicalista defendeu que o movimento sindical intensifique o diálogo com os senadores em cada estado para demonstrar os benefícios sociais e econômicos da redução da jornada e do fim da escala 6×1.
O sindicalistas ressaltou que o avanço da proposta dependerá do empenho das lideranças sindicais junto aos senadores, em parceria com as demais centrais sindicais e que o prazo para consolidar apoio à proposta é curto.
Também presente à reunião, o vice-presidente da Força Sindical e presidente da FEQUIMFAR, Sergio Luiz Leite, o Serginho, destacou que a mobilização em defesa da redução da jornada e do fim da escala 6×1 deve permanecer unificada em todo o país.
“A aprovação da PEC no Senado exigirá organização, diálogo e mobilização permanente. Precisamos fortalecer o trabalho junto aos senadores e ampliar o debate com a sociedade sobre os benefícios da redução da jornada para a geração de empregos, a saúde dos trabalhadores e a melhoria da qualidade de vida” – SERGINHO
O dirigente ressaltou que a atuação conjunta das centrais sindicais será fundamental para consolidar apoio à proposta e garantir avanços na tramitação da matéria no Senado Federal.
Luta pela redução da jornada
Em seguida, o senador Paulo Paim relembrou a longa trajetória da luta pela redução da jornada e destacou décadas de mobilização sindical e negociação política.
O parlamentar recordou que o movimento sindical conquistou a jornada de 44 horas semanais na Constituinte, embora trabalhadores defendessem inicialmente a redução para 40 horas.
Segundo Paim, o movimento sindical manteve a luta ativa nas décadas seguintes, apresentando propostas e emendas para reduzir a jornada no Congresso.
Ele destacou ainda que uma dessas iniciativas avançou no Senado após aprovação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
“A PEC aprovada pela Câmara dos Deputados, impulsionada pela mobilização popular e sindical, deve ser tratada como prioridade no Senado, independentemente da autoria ou da data de apresentação da proposta”, disse Paim.
Paim explicou que a CCJ do Senado analisará a matéria e designará um relator antes de encaminhá-la para votação em plenário. Na avaliação dele, o texto aprovado pela Câmara deve liderar o debate na Casa por já ter recebido o aval de uma das instâncias do Poder Legislativo.
O senador também criticou propostas alternativas que transferem a regulamentação da jornada exclusivamente para a negociação entre patrões e empregados.
Para ele, esse modelo enfraquece a legislação trabalhista e reduz o papel da negociação coletiva e das entidades sindicais na defesa dos trabalhadores.
Além disso, o parlamentar observou que alguns senadores que inicialmente apoiaram propostas consideradas prejudiciais aos trabalhadores passaram a rever suas posições, movimento que, segundo ele, pode favorecer a tramitação da PEC.

Diálogo é o caminho
Ao defender a ampliação da mobilização nos estados, Paim lembrou que cada unidade da Federação conta com apenas três senadores.
Ele criticou a PEC 12/2026, que prevê contratação por hora e ampliação da jornada para até 52 horas semanais.
Falsa liberdade de escolha
Segundo André, a proposta utiliza o argumento da liberdade de escolha, mas não apresenta todos os impactos previstos para os trabalhadores.
Ele alertou que o texto não assegura garantias equivalentes às previstas na CLT e pode ampliar a precarização das relações de trabalho.
Além disso, a medida pode permitir remuneração inferior ao salário mínimo mensal e reduzir contribuições previdenciárias e depósitos do FGTS.
“A PEC 12/2026 representa uma forma de precarização das relações de trabalho”, avaliou o analista do DIAP.
O representante do DIAP também alertou para a necessidade de ampliar o debate sobre o conteúdo da proposta e seus efeitos práticos. Segundo ele, o apoio de setores empresariais ao projeto exige atenção das entidades sindicais.
O analista lembrou que a proposta precisa do apoio de 49 dos 81 senadores para ser aprovada e avançar na tramitação legislativa.
Ele ressaltou que, apesar da expressiva votação obtida na Câmara, o cenário no Senado exigirá intensa articulação política e mobilização dos trabalhadores.
Por sua vez, João Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário-geral da Força Sindical, defendeu a ampliação das mobilizações nos locais de trabalho e nas ruas.
Segundo Juruna, a campanha nacional pela redução da jornada precisa combinar articulação parlamentar com ações permanentes de conscientização e participação dos trabalhadores.
Ele destacou que importantes conquistas trabalhistas resultaram não apenas da atuação no Congresso Nacional, mas também da mobilização popular em todo o país.
Juruna citou marchas, atos do 1º de Maio e manifestações regionais como exemplos de iniciativas que fortaleceram as reivindicações históricas da classe trabalhadora.
“A ação sindical precisa combinar a atuação parlamentar com o trabalho permanente nos locais de trabalho e nas comunidades”, disse Juruna.
Ele também defendeu o fortalecimento dessa estratégia de mobilização e ressaltou que a pressão sobre os parlamentares faz parte do processo democrático, independentemente de posicionamentos políticos.
Mobilização nos estados
Durante a reunião, os presidentes das estaduais da Força Sindical também apresentaram um panorama da situação política em seus respectivos estados.
Cada dirigente apresentou uma avaliação preliminar sobre o posicionamento dos senadores diante da PEC da redução da jornada e do fim da escala 6×1.
Os representantes estaduais identificaram parlamentares favoráveis, contrários e indecisos, além de mapear cenários para ampliar o apoio à proposta no Senado.
Os dirigentes também relataram iniciativas para ampliar o diálogo com os senadores e fortalecer a defesa da proposta aprovada pela Câmara dos Deputados.
Entre as estratégias discutidas estão reuniões presenciais, mobilizações nas bases e participação de sindicatos e federações nas articulações regionais.
Esclarecer impactos positivos
As lideranças também defenderam ações de esclarecimento para destacar os impactos positivos da redução da jornada e do fim da escala 6×1.
Já Geraldino dos Santos Silva, secretário de Relações Sindicais, afirmou que a aprovação da proposta exigirá diálogo permanente e articulação sindical.
Segundo Geraldino, o movimento sindical precisará intensificar o contato com os senadores para construir apoio e garantir a aprovação da PEC.
Ele destacou que conquistas históricas dos trabalhadores, como as obtidas na Constituição de 1988, foram resultado da mobilização e da negociação política.
“A pressão popular já tem levado parlamentares antes resistentes a reconsiderarem suas posições, tornando fundamental o trabalho de convencimento nos estados para garantir mais essa conquista dos trabalhadores”, afirmou Geraldino.


Danilo disse ainda que há espaço para construir entendimento com os senadores paulistas, entre eles Marcos Pontes, Mara Gabrilli e Alexandre Giordano, apresentando os benefícios sociais e econômicos da proposta.